Erva baleeira – uma personalidade controvérsia: cara de um gosto de outro

Um hortelão atento e consciente sabe reconhecer a importância das plantas que crescem espontaneamente em nossos jardins. Muitos as chamam de erva daninha, até mesmo praga, mas nós preferimos dá-las o devido nome…matos/ervas espontâneas. A maioria destas plantas apresenta extenso uso medicinal caseiro, muitos já registrados pela literatura, e também uso culinário, nem sempre conhecidos. Popularmente, se diz que o mato que cresce espontaneamente no seu quintal é aquele que você precisa para sua saúde.

A erva-baleeira, cordia, catinga-de-barão ou maria-milagrosa (Cordia verbenacea DC.) é um exemplo, ela é uma planta que cresce espontaneamente em áreas abertas do Brasil e apresenta extenso uso medicinal, sendo considerada anti-inflamatória, anti-artrítica, analgésica, tônica e antiulcerogênica. O que poucos sabem é que ela é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional), ou seja, pode ser consumida. Apesar de pertencer ao grupo dos vegetais, seu sabor e aroma não enfatizam isto, surpreendentemente ela apresenta aroma e sabor de caldo de galinha, podendo ser usada como tempero, substituindo a utilização do preparado tradicional. Ela é uma boa opção para quem não se alimenta de carne e também uma excelente substituta do caldo de galinha industrializado, ou seja, se não tiver como fazer um preparado caseiro, use a erva-baleeira…bem mais saudável!

Esta erva na verdade é um arbusto ereto, perene, muito ramificado, que atinge de 1,5 – 2,5 m de altura. Suas flores surgem no verão, são pequenas, brancas e dispostas em inflorescências. Apesar de ser uma erva espontânea, nós conseguimos cultivá-la facilmente. Prefere solos arenosos e úmidos e locais abertos e bem ensolarados, porém tolera certo grau de sombreamento. Sua propagação ocorre por meio de sementes e estaquia.

Para brindar e valorizar esta surpreendente planta nós convidamos as amigas e sócias Vera Blanc e Ana Beatriz Tomioka do Atelier São José Gourmet – Culinária Funcional Vegetariana para nos passarem uma receita de coxinha com erva-baleeira!…incrível! A Vera é fonoaudióloga e a Ana cientista social e,  em 2001, elas decidiram mudar de profissão e integrar um projeto de Arte e Gastronomia. Atualmente elas trabalham com   pesquisa, desenvolvimento de textos e receitas e produção de culinária vegetariana.  Há mais ou menos 2 anos integraram mais um atributo ao trabalho e decidiram estudar (e muitooo) e difundir a Culinária Funcional (sem glúten e sem lactose e com adição de biomassa de banana verde). Hoje em dia, ministram cursos e oferecem um serviço de personal chef para ensinar esta incrível culinária. Quem quiser conhecer melhor este lindo trabalho, acesse http://www.ateliersaojosegourmet.com/

Antes de passarmos a receita, queremos (Vera e Ana) contar a história da coxinha…O ‘descobrimento da coxinha’ aconteceu por acaso, ainda na época do Império. A história está publicada no livro ‘Histórias e receitas de Nadir Cavazin’ e conta sobre o filho da Princesa Isabel e do Conde D’Eu, uma criança que foi afastada da corte vivendo então na cidade de Limeira (interior de São Paulo ), devido ter possíveis problemas mentais. Essa criança tinha dificuldades de se alimentar e tinha por prato favorito o frango, mas somente a parte da coxa. E um dia, por não ter frango suficiente, a cozinheira decidiu transformar um frango inteiro em coxas, desfiando-o e fazendo-o recheio de uma massa elaborada com  farinha de trigo. A criança aprovou o resultado e a Imperatriz Tereza Cristina quando foi visitá-lo não resistiu e saboreou a guloseima, gostou tanto que solicitou que o mestre da cozinha imperial aprendesse. Assim a coxinha ganhou a nobreza. Segundo levantamento de estudiosos da área gastronômica, o salgadinho foi então aprimorado e utilizado durante o processo de industrialização de São Paulo. O objetivo era oferecer um lanche mais barato e durável do que as conhecidas coxas de galinha (do próprio frango) servidas em lanchonetes e portas de fábrica como aperitivo na época. A receita de sucesso e baixo custo rapidamente se espalhou pelo Rio de Janeiro e Paraná na década de 1950, e até hoje é um dos salgadinhos mais populares do Brasil.

Vamos a receita…

COXINHA VEGETARIANA FUNCIONAL

MASSA

INGREDIENTES:

                  650 ml de caldo de legumes (caseiro e já com umas folhinhas de erva baleeira no tempero!);

                  1 colher (sopa) de salsinha;

        200 gramas de batatas cozidas e espremidas (pode ser batata doce, batata baroa/mandioquinha, mandioca, cará ou inhame);

                  2 xícaras (chá) de farinha de arroz;

                  3 colheres (sopa) de farinha de linchia (linhaça com chia);

                  1 colher (sopa) de azeite de oliva extra-virgem;

                  sal marinho a gosto.

MODO DE PREPARO:

No caldo aquecido, junte a salsinha, o azeite e mexa bem. Desligue o fogo e junte as farinhas de uma só vez e vá mexendo com colher de pau ou pão duro até que a massa desgrude da panela. Coloque a massa sobre uma bancada untada com azeite e acrescente as batatas espremidas amassando até atingir um ponto em que ela fique mais homogênea (ela ainda gruda um pouco na mão, mas  não se preocupe que dá para enrolar). Acrescente o sal marinho. Reserve.

 RECHEIO

 INGREDIENTES:

            200g de tofu;

            ½ cebola picada;

            1 dente de alho amassado;

            1 colher bem cheia (sopa) de erva baleeira picadinha (fresca ou desidratada);

            1 pitada de açafrão da terra em pó;

            sal  a gosto;

            pimenta do reino a gosto;

            1 colher de sopa rasa de manteiga ghee.

MODO DE PREPARO:

Amasse o tofu com um garfo e reserve. Numa panela, refogue com a manteiga ghee, a cebola e o alho. Acrescente o tofu, o sal, a pimenta do reino e a erva baleeira. Mexa bem por alguns instantes. Acrescente o açafrão em pó e mexa mais um pouco. Reserve.

PARA EMPANAR

INGREDIENTES:

            1 colher ( sopa ) de flocos de quinoa (de preferência quinoa vermelha);

            1 colher (sopa) de farinha de castanhas do pará;

            1 colher (sopa) de sementes de girassol;

            1 colher (sopa) de farinha de soja;

            2 colheres ( sopa ) de milharina;

            sal marinho a gosto.

MODO DE PREPARO:

Coloque os 4 primeiros ingredientes no liquidificador/processador e bata bem até que fique homogêneo. Junte a milharina e o sal marinho. Reserve.

FINALIZAÇÃO

Com as mãos sempre úmidas abra a massa em pequenas rodelas (10 cm de diâmetro) coloque o recheio e feche em formato cônico. Pincele as coxinhas com azeite de oliva extra virgem e passe-as no preparado de farinhas.

Em assadeira untada, leve ao forno pré-aquecido a 180°C por 30 minutos ou até que estejam mais douradas (formando uma “casquinha” embaixo).

 Rendimento: 40 unidades

 E bom apetite!

Referências botânicas:

Lorenzi, Harri & Francisco José de Abreu Matos. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2002.

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Jardinagem Gastronômica  - Especial PANCs

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Av. Nadir Dias de Figueiredo, 395 – Vila Maria, São Paulo
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Sobre Sabor de Fazenda

Somos um viveiro orgânico de ervas e temperos situado na Vila Maria, São Paulo. Oferecemos mais de 90 espécies de mudas de ervas e temperos orgânicos e uma série de atividades, como cursos para crianças e adultos, que se encantam ao aprender o valor e os benefícios de cada planta e a delícia de fazer seu próprio jardim de ervas.
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2 respostas para Erva baleeira – uma personalidade controvérsia: cara de um gosto de outro

  1. LUKE SHELTON disse:

    QUERO MUDAS OU UMAPLANTINHA DA ERVA BALEEIRA
    MINHA TIA FALECIDA TINHA UM PÉ
    E FAZIA UM COMPOSTO DAS FOLHAS COM ALCOOL E PASSAVAMOS NO LOCAL INFLAMADO E O RESULTADO ERA MUITO POSITIVO NUNCA TIVEMOS QUEIXA QUANTO A INFLAMAÇÕES CICATRIZAÇÕES E SIMILARES SO TENHO A DUVIDA DO LCOOL NUM VIDRO COM A S FOLHAS AMASSADAS DANDO UMA CONSISTENCIa VERDE SE
    É NECESSARIO OU O ALCOOL AJUDA ?
    LUKE SHELTON
    AGUARDO RESPOSTA GRATO
    BOA NOITE

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